26 de maio de 2017

“Aprendemos a ouvir a mensagem de um Deus que nos fala na brisa, nas águas nas flores no chão”

Por Irmã Márcia Rosália Santos, IDP 


É com o coração cheio da Alegria Pascal que faço essa partilha missionária. Sou Irmã Márcia Santos, Irmã da Divina Providência, sou natural de Santarém, Pará, moro em Porto Alegre/RS, a 14 anos. Tudo isso para lhe dizer que participar da III Semana Missionária da Vida Consagrada Jovem na Amazônia – Macapá, de 07 a 18 de abril de 2017, não foi para mim um acaso, nem mero convite aceito, mas foi a concretização do despertar que me trouxe para a Vida Consagrada – Ser Missionária nas comunidades Ribeirinhas da Amazônia. 

Ao saber da existência desse Projeto idealizado e sonhado pela CRB Nacional, alimentei o desejo de fazer parte dessa experiência. Mas o que significou para mim, pisar aquele chão? Foi mais que sair de mim, do cotidiano da minha missão. Foi antes de tudo, um processo de despojamento, de abrir-me a ação de Deus manifestada na vida e na história daquele povo. 


Tivemos um dia inteiro de formação para mergulhar no contexto eclesial-político-social-econômico e cultural das comunidades a serem visitadas, estas divididas em setores com denominação de aves regionais. Tive a graça de visitar o Setor Patativa, acompanhada pela Irmã Jusciêda, do Setor Missão da CRB Nacional e o Postulante Hálesi Carvalho, Pavonianos. Foram, sem dúvidas dias de animação de nossa vocação missionária, onde com o povo rezamos, refletimos, ouvimos e sobretudo acolhemos os traços de Deus presente em suas histórias de vida. 

Pudemos perceber o anseio do povo por saúde, educação, formação eclesial. Há visível ausência do Estado, no que tange sua responsabilidade de subsidiar condições de vida digna. Percebemos o comprometimento da Igreja com as comunidades, porém frágil e insuficiente, por causa da carência de padres e religiosos naquela Diocese. No entanto, é de calar diante de tão grande testemunho dos dirigentes de comunidades, que assumem essa missão tão linda e desafiadora de animar a vida das pessoas e despertar em seus corações o desejo de fazer parte da vida da comunidade e da Igreja. É um povo que se sabe sustentado e conduzido pela ternura de Deus, que sabe ser grato pela riqueza natural à sua volta (açaí, peixes, camarão...). 

Qual o rosto de Deus reconhecido, revelado e testemunhado nessa experiência missionária? Bem, diante daquela imensidade de águas, me faltaram capacidades de abarcar a grandiosidade da bondade de Deus. Fiquei emudecida diante de tanta beleza, reconheci o rosto de um Deus que navega sobre aquelas águas, movimentando-se através das lidas e das labutas do povo, Deus revelado na inocência das crianças. 


Nossa preocupação não foi ensinar e não nos preocupamos como seria os dias que lá estaríamos, nosso desejo era somente ser povo com o povo, experimentar em profundidade as manifestações de fé e as esperanças que mantém a presença mística de uma Igreja em saída. Sai de lá profundamente grata à minha Congregação, à CRB Nacional e todas as pessoas que organizaram essa missão, pela oportunidade de me tornar mais Irmã, me encontrar com minha verdadeira intimidade de consagrada. Voltei com o desejo de despertar outros corações a fazer parte desse projeto em 2018. Voltei desejando que o ano passe e que eu possa voltar ano que vem e experimentar, Cristo Ressuscitado, presente e manifestado no rosto dos povos Amazônicos. 

“Saiamos depressa ao encontro da Vida”

Como Maria na Visitação

CORAÇÃO DE RIO

Por Frei Leandro Carvalho, OSA


Chegando no porto,
aquele alvoroço
Coração batia forte
Mas só podia ser isso,
ali era o Norte.

Para alguns
um monte d'água é uma surpresa
Sim, é o rio Amazonas e suas belezas...

Cadê o transporte?

De repente, vem Deus e
surpreende!
Traz um catraio ou uma lancha
e faz a missão começar
Botando gente no barco
que nem mesmo sabia anadar

Te segura, meu povo
Maresia faz balançar!
Mas segue com coragem
que na Páscoa a gente torna
encontrar.

Nas ilhas chegamos
para celebrar com o povo, mas,
além de rezar, fraternidade reinava
Uma beleza...!
A comum união também se via quando
peixe, açaí e farinha eram postos à mesa

Na simplicidade do povo
relembrei que preciso de pouco
Que experiência linda!
Era o que todos diziam
Quero voltar...
Porque,
de coração aberto, digo agora:
eu mesmo ficaria por lá

Agora...
é tocar o "barco" pra frente
nas estradas do chão da vida,
e nunca esquecer as lições aprendidas!

Ao final, guardei outra missão
também quero ser mensageiro
de um Deus que é IRMÃO.

23 de maio de 2017

Seminário das Novas Gerações da Região Centro-Oeste

Aconteceu entre os dias 19 e 21 de maio, em Cuiabá/MT, o Seminário das Novas Gerações da Região Centro-Oeste. Foi um momento da graça de Deus com a participação de 36 religiosos e religiosas. 



No primeiro dia, nos inteiramos um pouco sobre o 3º Congresso das Novas Gerações da CLAR e da programação das Novas Gerações no Brasil para os próximos 3 anos. 

No segundo dia, Eder D'Artagnan, assessor do encontro, nos levou a aprofundar o tema e lema do encontro: “Novas Gerações em saída”, “Tecendo relações fraternas na Casa Comum”. Nosso processo foi de ver nosso exterior, onde e como estamos. Entender um pouco a sociedade em que estamos inseridos e como ela acaba se inserindo em nós. Depois fomos ao interior. Viagem profunda no nosso eu para lá nos encontrarmos e fazermos experiência de Deus. 


Pela noite, fomos agraciados com a presença do Grupo de Jovens Javé que apresentou um pouco do “Siriri”, uma dança típica de Cuiabá. Quanta beleza e vitalidade! 


Na manhã de domingo, momento de fazer experiência de “ir para fora”. Este ano não realizamos visita em um local de inserção, porém acolhemos dois jovens indígenas que partilharam suas vidas e culturas conosco. Soilo Urupe Chuê, dos Chiquiitanos, estudante de Psicologia na UFMT e Érick Timóteo Kamikwa dos Bakairi, estudante de Ciências Sociais na UFMT. Quanta riqueza! Ao perguntar o que poderíamos fazer para nos somarmos na luta deles a resposta foi: “Irmã, sejam nossas vozes e nossos ouvidos. Ouçam, vejam e defendam nossa causa onde estiverem”. 


Encerramos nosso encontro agradecendo a Deus e a cada um que colaborou para que ele acontecesse de modo especial à Coordenação das Novas Gerações de Cuiabá. Nossa gratidão também à CRB Nacional que se fez presente através da mensagem da Irmã Clotilde e Irmã Maria Inês. Nossa gratidão a cada um que rezou, que trabalhou e que de alguma forma colaborou. A caminhada agora continua em nossas comunidades. Encerramos com o texto da Filomena Silva que traduz bem o nosso sentimento ao chegar ao fim desse encontro e início da nossa missão:

“Há sempre algo pelo qual nos sentimos gratos todos os dias. Não importa se é algo substancialmente grande ou apenas um detalhe. Importa sim a nossa consciência das bênçãos com que somos brindados a cada dia. Hoje sou grata por ter discernimento para analisar o que serve o meu propósito de vida e o que não deve fazer parte dela. Porque o nosso caminho é feito de escolhas que se refletem em toda a nossa vida. Porque as nossas vivências são fruto das nossas escolhas e quer sejam mais ou menos acertadas, devemos aceitá-las como parte da nossa aprendizagem e conhecimento”.









Mutirão das Novas Gerações de Brasília

De 28 a 30 de setembro o Grupo Novas Gerações Regional Brasília esteve realizando, na Capela N. Sra. Aparecida, que pertence a Paróqui...