5 de maio de 2017

“A VIDA QUE O POVO VIVE, A VIDA QUE O POVO CANTA É A VIDA QUE EU SEMPRE QUIS” (Zé Vicente)

Por Ir. Itamires Amorim dos Santos 
Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição


É com o coração cheio de alegria que agradeço a Deus, a minha Comunidade Medianeira de todas as Graças, bem como a Província Nossa Senhora Aparecida, por terem me concedido a oportunidade em participar da terceira semana missionária na região Amazônica, organizada pelas Novas Gerações da CRB Nacional, realizada na Diocese de Macapá. 

Conviver com as Comunidades Ribeirinhas na Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes (Paróquia das Ilhas), foi para mim um tempo de Deus, tempo precioso em que tive a oportunidade de sair das minhas fronteiras interiores e ir ao encontro das minhas irmãs e dos meus irmãos que vivem de forma simples em meio à floresta e ao rio Amazonas.

Tomar açaí, comer peixe e camarão fresco e sem conservantes, foi saborear o próprio amor de Deus. Passar nove dias sem pisar em terra firme, trouxe-me um certo desconforto, mas, no entanto, pude experimentar um pouco das suas realidades, durante todo o período do inverno. Andar de Voadeira e de Catraia, em meio às maresias, também exigiu de mim coragem, fé e confiança tanto em Deus, como também nas pessoas que estavam nos conduzindo. Nem sempre as águas estavam calmas, ou são calmas nas nossas vidas, mas, porém, tenho convicção de que é também nas tempestades da vida que Deus se revela de modo peculiar. 

Região Amazônica, tão falada e tão sonhada por mim, me acolheu durante doze dias. Senti-me e me sinto parte da Amazônia. Um pedacinho dela veio comigo e acredito que, também, deixei com seu povo um pouquinho de mim. 

Juntamente com meus companheiros de missão, fomos muito bem acolhidos pelas comunidades ribeirinhas. Impressionou-nos o seu jeito acolhedor e cuidadoso de ser. Mesmo marcados por diversas formas de exclusão, continuam alegres e perseverantes na fé.

3 de maio de 2017

“É Missão de todos nós, Deus chama, eu quero ouvir a sua voz!” (Zé Vicente)

Por Ir. Joelma Damasceno de Santana, IJE

O discípulo missionário de Jesus Cristo, necessariamente, vive sua fé em comunidade. Sem vida em comunidade, não há como efetivamente viver a proposta cristã. A comunidade eclesial acolhe, forma e transforma, envia em missão, restaura, celebra, adverte e sustenta. Constituindo comunidades de comunidades.

Nós cristãos, precisamos ajudar as pessoas a conhecerem Jesus Cristo, fascinar-se por ele e optar por segui-lo. Isso requer de nós atitudes de acolhida, diálogo, partilha, escuta da Palavra de Deus e adesão à vida comunitária.

Jesus Cristo, o missionário do Pai, envia pela força do Espírito, seus discípulos em constante atitude de missão (Mc, 16,15). 

A Igreja é missionária por natureza!


Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor (Mc, 6,34).

A CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil), Setor Juventudes fez o convite às diferentes congregações religiosas no Brasil. Elas deveriam enviar algum dos seus membros para desembarcar e vivenciar uma Semana Santa bem diferente, junto ao povo ribeirinho na região amazônica. E com alegria, demos o nosso sim a esse convite. Eu e outros trinta e um religiosos, inclusive havia dois sacerdotes nesse grupo. E partimos de diferentes lugares do Brasil, para Macapá. Ali nos encontramos e fomos conhecendo um pouco mais daquele chão. Circulamos pela cidade e tivemos um dia inteiro de formação, análise do contexto eclesial, sócio-político, daquele Estado.

Percebemos o desafio para a Evangelização na Diocese de Macapá, que dispõe de apenas 55 sacerdotes, muitos são estrangeiros, de diferentes nacionalidades. E que conta com algumas comunidades religiosas. O Estado do Amapá tem cerca de 800 mil habitantes, e 70% dessa população vive na capital, Macapá e no seu entorno. 

Nós religiosos/as, vindos dos diversos cantos do Brasil, de diferentes congregações, ali formávamos o grupo dos missionários/as!

Foram formadas as equipes para atender dez setores da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes. Cada setor é formado por várias comunidades.

A paróquia é composta por 105 comunidades, a maioria tem uma ou duas missas por ano. Todavia, todos os domingos se reúne para celebrar a Palavra de Deus. Realmente é o Espírito Santo de Deus o grande animador desse povo ribeirinho!

No sábado pela manhã fomos para o porto onde chegam e saem as embarcações. Lá, nos encontraríamos com os representantes dos dez setores, eles buscariam os missionários. E assim, fomos nos despedindo... Uns iam de voadeira, outros em um barco maior.

Aventuramo-nos no majestoso rio Amazonas, contemplando as belíssimas paisagens, as águas barrentas, os açaizais nas suas margens, etc... Na imensidão desse rio, alguns viajaram durante seis horas até chegar ao destino. Cada missionário/a levava em sua bagagem: rede para dormir, cordas, mosquiteiro, repelente para se defender dos carapanãs (pernilongos) e o coração confiante no Deus que nos precede e nos envia aonde “as sementes do verbo já foram lançadas”.

As equipes de missionários chegavam lá para visitar as famílias, as escolas, celebrar com o povo dessas comunidades. Enfim ser entre eles, um sinal do Deus que sempre visita seu povo.

Em todas as comunidades fomos bem acolhidos. As crianças com a pureza e docilidade que são próprias, deixaram uma marca muito forte em nós. Elas, desde cedo se adaptam aos desafios dessa região, que tem uma parte do ano coberta pelas águas. Logo aos três aninhos de idade aprendem a nadar, e fazem isso tão bem, que enchem de orgulho os seus pais.

Bonito de mais, cada gesto, cada momento vivido naqueles dias. A procissão de Ramos feita sobre a passarela de madeira, pois as águas recobrem as áreas de chão firme, e as casas são todas suspensas, parecem palafitas. Esse período lá é chamado “inverno”, pois chove muito, embora, o calor úmido, seja intenso. 

Penso que a Vida Religiosa Consagrada é chamada e desafiada a esse compromisso, de desinstalar, a ser Igreja em saída conforme nos pede o Papa Francisco. Sair dos nossos confortos, quebrar os esquemas, despojar-se. Viver a proximidade, atualizar o ensinamento do nosso Mestre Jesus que nos envia para sermos itinerantes e confiantes lançarmo-nos nas águas profundas. As congregações com esse gesto, de enviar seus membros para ajudar a Igreja de Macapá, estão dividindo do seu pouco, com quem tem menos ainda...

Sou grata a Deus e a Congregação das Irmãs de Jesus na Eucaristia, que me permitiu estar com o povo ribeirinho durante aqueles dias e compartilhar momentos tão lindos e que me fizeram crescer na fé em um Deus próximo e que se deixa encontrar sempre.

Enviai Senhor operários para a vossa Messe!

2 de maio de 2017

ECOA NAS ILHAS: É PÁSCOA!

Por Ir. Ismael G. Frare, OSJ

A experiência missionária junto aos povos ribeirinhos às margens do Rio Amazonas foi um memorável estar “em saída” e tecer relações de encontro. A Paróquia Nossa Sra. dos Navegantes, sede da Missão, é em Santana no Amapá, contém 105 comunidades espalhadas pelas ilhas ao longo do rio. Estas ilhas pertencem ao estado do Pará. Lá pude aprender com um povo de ouvido afinado, atento à Palavra de Deus. Famílias hospitaleiras, simples e “de fé”. Famílias e vizinhos orantes, que só falavam de Deus. Limito-me a contar algumas histórias de vida e curiosidades que meu coração experimentou:

Seu Manoel, de semblante bem vivido, que nos contava de como conseguiu que os ribeirinhos do Igarapé do Caráxi se libertassem dos “donos da terra”. “Esse povo se libertou!”, dizia ele. Enquanto ele contava, pensei: Manoel é um “Moisés” para este povo. Acabou a ilha da escravidão. Tornou-se ilha da solidariedade, fraternidade, dos anawin. Na contação da história de sua vida, ele se pautava na Palavra de Deus.

O Rose deu um bonito testemunho de perdão, ao estilo cristão autêntico. Mataram o filho dele que tinha 17 anos. O ódio tomou conta do Rose e procurava mata o rapaz que tirou a vida do seu filho. À luz da Palavra de Deus ele percebeu que o melhor para a vida dele era perdoar. Lá dentro do açaizal ele gritou toda a raiva e pediu a Deus força para o perdão. Se encontrou com Deus, com quem matou seu filho, e consigo mesmo, alcançou o perdão. Dizia ele que ficou leve. Rose chamou todos os vizinhos e rezamos o terço juntos antes de dormir.

O “professor” do Igarapé Caetano é fruto do seu povo. Saiu dali, estudou, formou-se e voltou. Sozinho, numa sala, ensina várias crianças de seis diferentes turmas de 1º a 4º ano num entusiasmo, que só vendo! Infelizmente, nas escolas não tem merenda para as crianças todos os dias, assim estudam só até o intervalo. Crianças muito assíduas na aula, e o professor sensível com o fato que muitas crianças precisam ajudar na colheita do açaí.

A vida do povo é no ritmo das águas. A “água grande” (maré alta) possibilita navegar pelos vários igarapés e “furos”. Na “água pequena” só se trafega de casco ou rabeta, um barco pequeno motorizado. “Inverno” é o período chuvoso e “verão” é a seca, sem chuva. Estivemos lá bem na época do “lançante” que é quando a água grande é maior e até invade as casas.

Várias foram as nossas “paragens” (localidade) e em todas fomos muito, muito bem acolhidos. Redescobri o valor da hospitalidade: quem chega em nossa casa, é Jesus que chega. Armaram um “matapi” (armadilha para camarão) com tantos afagos e conseguiram pescar meu coração missionário.

Agradeço à Congregação dos Oblatos de São José por acolher minha vontade e à Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) por oportunizar esta experiência limitada, porém rica em aprendizado para nós Novas Gerações da Vida Religiosa Consagrada. É Páscoa! O anúncio do querigma é ecoante nas ilhas! Jesus ressuscita em cada gesto cristão daquele povo predileto de Deus!




Roda de Conversa em Lages/SC

No dia 15 de abril em Canoinhas o grupo de Lages esteve reunido e na ocasião puderam estar realizando a Roda de Conversa com a pesquisa sobr...